10
out
10

o quê fazer para ter dilma presidente?

Por Cláudio Fajardo
A guerra é grande demais para deixar somente na mão do PT. Sem ofensas ao PT, mas os petistas há muito despolitizam do debate e acreditam nas emoções produzidas pelos marqueteiros. Neste momento da guerra isso é insuficiente. E, para não chorarmos depois, vamos comprar o pau agora.
TODA A SOCIEDADE tem responsabilidade nessa disputa: sindicatos, partidos aliados, entidades estudantis, associações, igrejas não contaminadas pela corrupção do Serra, ligas, redes sociais e todos aqueles que se sentirem ofendidos pela baixaria do Serra e ameaçados pela volta do neoliberalismo. TODOS!
Para nossa orientação, reproduzo dois textos publicados no site Viomundo: um do próprio Luiz Carlos Azenha e outro do Rodrigo Viana. Tratam da campanha quer na internet quer da mobilização necessária.

9 de outubro de 2010 às 23:57
O PT, o marketing político e a guerra assimétrica
por Luiz Carlos Azenha
O grande mito da eleição de 2010 no Brasil, até agora, é de que a internet não influiu no resultado. A decisão dos eleitores seria tomada a partir do horário gratuito na TV e dos debates. Discordo. Acho que a eleição foi para o segundo turno por causa da internet.
Vi duas coisas na paradigmática disputa entre Barack Obama e John McCain nos Estados Unidos:
1. O potencial da internet para disseminar mentiras e calúnias por e-mail e nas redes sociais;
2. O potencial do YouTube para criar ondas positivas (Obama girl) e negativas (vídeos “exclusivos”, “bombásticos”, “escondidos pela mídia” etc.)
Não é possível dissociar a rede do contexto em que ela existe: nos Estados Unidos, naquela eleição, os grandes grupos de mídia ainda estavam engatinhando na rede e seu conteúdo ainda era produzido majoritariamente para as plataformas tradicionais (jornal impresso, emissoras de TV, etc).
Brilhou a internet para as táticas de guerrilha virtual.
Com duas diferenças em relação ao que vemos no Brasil, agora.
Nos Estados Unidos, a infraestrutura da banda larga tornava o acesso praticamente universal. Os vídeos rodavam nas casas de todos os eleitores.
No Brasil isso não é fato. O alcance da rede é menor.
Ah, mas existe uma grande diferença no Brasil: as lanhouses. Na periferia das grandes cidades, as lanhouses são mais que lugares para frequentar a internet. São clubes. Onde os jovens se reúnem, jogam uns contra os outros, checam o e-mail e assistem ao vídeos no You Tube. Uns chamam a atenção dos outros para as notícias que recebem. Quanto mais tosco o vídeo ou mais “bombástica” a informação — verdadeira ou mentirosa –, melhor. É assim que os boatos se espalham como fogo, através dos jovens.
A desconexão que eles sentem em relação aos governos, o ímpeto próprio da juventude, a volatilidade de opiniões, o desejo de subverter a ordem — tudo isso conta.
Para muitos destes eleitores, não pesa a “credibilidade” da Folha, que eles não assinam. Pesa a credibilidade dos amigos e parentes nos quais as mensagens se originam. É credibilidade por associação a alguém confiável.
O movimento que levou Marina Silva para o segundo turno teve um componente disso. E foi a internet que deu consistência à expressão dele em diferentes regiões do país e especialmente nas regiões metropolitanas.
Quantos comícios Marina fez presencialmente nos lugares em que foi mais votada?
Para além disso, temos outra grande diferença em relação aos Estados Unidos, que é a diferença de renda.
A elite é identificada não apenas por um padrão de consumo, mas estético.
A estética da elite está presente nas campanhas de Dilma Rousseff e José Serra. São formulações distantes, de centros de poder imaginário (Brasília, São Paulo) na cabeça dos jovens, emitidas por meios eletrônicos (TV, internet).
Daí a importância residual, no Brasil, dos panfletos.
A concretude física lhes confere credibilidade.
A palavra escrita, os desenhos e as charges tem um impacto simbólico que não deve ser desprezado. São a linguagem “do povo”, em anteposição à imagem limpa das superproduções, associada à elite.
O PT, o PMDB e os movimentos sociais dispõem de uma esmagadora vantagem sobre o PSDB/DEM neste campo.
Militância e capilaridade. Juntos, chegam a todos os pontos do Brasil.
Uma vantagem que pode ser decisiva numa eleição apertada.
Mas a vantagem só poderá ser explorada se passos forem dados para superar o abismo que existe entre os de cima (marqueteiros e pesquiseiros) e os de baixo (militantes e eleitores).
A proximidade física entre os militantes e os eleitores (de parentesco, de vizinhança, de bar, de fábrica ou comércio) conta muito nessa hora.
Para os que são de muita informação, informação.
Para os que são de pouca informação, mensagens simbólicas que contenham toda a informação.

9 de outubro de 2010 às 20:17
Rodrigo Vianna: Uma eleição como essa só se ganha com mobilização
Reação tem que ser na rua – não na TV!
Máquina conservadora em ação: bispos católicos têm novo manifesto anti Dilma
publicada sábado, 09/10/2010 às 16:41 e atualizada sábado, 09/10/2010 às 17:52
por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador
Há quem acredite, ainda, que eleger Dilma ou Serra não faz tanta diferença assim.
Serra já deu todas as demonstrações de que vai bater da “medalhinha pra cima” – como se dizia na época em que eu jogava de lateral-direito (e batia da medalhinha pra cima, aliás). Com Serra estão a extrema-direita militar, as igrejas evangélicas mais conservadores, a Opus Dei, a TFP, a ala mais nefasta do novo catolicismo e os interesses econômicos de quem quer interromper a política de independência econômica e diplomática do Brasil.
Essa turma não brinca em serviço. Acabo de receber a seguinte mensagem, de uma pessoa muito bem informada sobre os bastidores da CNBB:
“Rodrigo
Informação quente e urgente… Um bispo de direita tentou aprovar no conselho-geral da CNBB um manifesto ultra conservador, mas a plenária não apoiou.
Dai, os bispos da Regional Sul da CNBB resolveram por conta própria fazer um folheto igual. O Dom Demétrio escreveu um texto denunciando esse novo panfleto feito pela regional.
Por causa dessa reação do Dom Demétrio, a CNBB soltou a nota oficial de ontem, você deve ter visto.
O PSDB soube do panfleto da regional sul, e MANDOU IMPRIMIR 2 MILHÕES DE CÓPIAS DO MESMO PARA DISTRIBUIR NAS ESCOLAS CATÓLICAS !
Acho que isso deveria ser difundido… Já foram distribuídos, pelo que soube.
A fonte é de um diretor de escola católica das mais tradicionais.”
===
Imaginem se Serra ganhar graças a essa onda. O que será o governo dele? Um vale-tudo em que a Globo, a Veja, os ruralistas, a direita católica, os mercadistas mais reacionários, os demo-tucanos derrotados nas urnas (e loucos para uma vingança contra “essa raça” de lulistas) vão dominar o Estado.
Diante disso, a pergunta: o PT vai continuar jogando feito seleção do Parreira? Vai tocar a bola de lado, esperando o tempo passar?
O programa da Dilma, na reestréia do horário eleitoral, foi muito bem feito. O de Serra também, diga-se (apesar de lamentável, pela exploração do tema do aborto). Tecnicamente, Dilma levou alguma vantagem porque o programa dela foi mais bem acabado, com um toque mais autoral da turma de João Santana. Ok. Tudo ótimo.
Acontece que a eleição não será decidida no horário eleitoral. Lula e o PT acostumaram-se a avançar sem politização. Tudo feito sem choque, dissolvendo os conflitos, aparando as arestas, chamando um ou outro empresário de comunicação pra pedir: “vocês estão pegando muito pesado, vamos maneirar…”.
Pois bem. Isso não vai da certo. O que Dilma e Lula precisam fazer é partir para o ataque. Até porque o tempo de TV no horário político é o mesmo para Serra e Dima. Serra tem todo o resto: “Veja”, “Folha”, Globo e as Igrejas a pautar o Brasil com a pauta que interessa a Serra.
Como equilibrar esse jogo?
Não é com marquetagem, mas com povo na rua.
Acabo de ler, no Azenha, que Jacques Wagner (governador eleito da Bahia) já percebeu que o caminho é esse.
Lula quer a comparação entre dois polos: FHC/Serra X Lula/Dilma. Serra, que não é burro, pautou Brasil pra outro debate. E, convenhamos, a pauta virou pro lado que interessa a Serra.
Enquanto Dilma aposta na TV, de forma leve, Serra joga tudo na máquina conservadora: panfletos, missas, manchetes, boatos…
Aliás, leio na “CartaCapital” que a campanha petista reconheceu que “demorou a reagir aos boatos no primeiro turno”. Demorou porque só consulta marqueteiros e pesquisas qualitativas.
Aqui nese blobg em meados de setembro, eu postei o primeiro alerta sobre a boataria religiosa, que me chegou de um militante de esquerda do Rio Grande do Sul. Passei dias e dias falando sobre isso. Vários amigos blogueiros, confiando no comando da campanha petista e nos marqueteiros, diziam: você é pessimista demais, alarmista, essa eleição está ganha.
O resultado está ai. Há quem diga: faltaram apenas 3 milhões de votos. É fato. O problema é que Serra pode sangrar Dilma com a máquina conservadora que está a seu serviço. Máquina que, nada me tira da cabeça, tem entre seus operadores gente de fora do Brasil.
Nos anos 60, achavam que era paranóia dizer que a CIA queria derrubar Jango. A turma mais à esquerda dizia: “Jango é moderado, não precisa de CIA pra derrubar o Jango, os Estados Unidos não iam se meter nisso”. O professor Moniz Bandeira provou, na reedição de seu livro sobre o Governo João Goulart, que os EUA enviaram pra cá centenas e agentes nos dois anos que antecederam a queda de Jango.
A articulação pra derrubar Lula/Dilma também é grandiosa. Também ouço muita gente — de esquerda – a dizer: Lula é moderado, fez um governo morno, pra que iam querer derrubar o lulismo?
Bem, o fato é que esse operação em curso envolve interesses economômicos gigantescos (o pré-sal), envolve reduzir Brasil ao papel de Colônia como no governo de FHC, envolve calar os movimentos sociais, e envolve por fim – ao reconquistar o Brasil – asfixiar outros governos progressistas da América do Sul.
Esse é o jogo – pesado!
Dilma, Lula e seus aliados acham que vão ganhar só tocando a bola de lado?
É hora de povo na rua. Marketing é bom. Internet e blogs têm o seu papel. Mas eleição (ainda mais numa guerra como essa) ganha-se na rua.

Anúncios

1 Response to “o quê fazer para ter dilma presidente?”


  1. outubro 10, 2010 às 6:08 pm

    É verdadadeiro: o pragmatismo extremado do PT despolitiza e afasta-se das bases. Abandonou a infraestrutura que havia montado no início e passou a privilegiar os conchavos e coligações com verdadeiros inimigos do povo, como representantes do capital, agronegócio, políticos corruptos e figuras abjetas, como Sarney e outros latifundiários e chantagistas. Isso enfraqueceu a confiança do povo trabalhador e só angariou a preferência pessoal à pessoa de Lula por algum carisma como retirante que venceu e porque ampliou significativamente a política de compensações econômicas aos despossuídos e remediados deste país. E isso só foi possível, também, numa conjuntura internacional favorável, depois de um período desastroso de seus antecessores ante a aplicação de profundas e nocivas políticas do Consenso de Washington e seu predatório neoliberalismo globalizante, que levou milhões aos limites do suportável com ampla distribuição de desemprego e perda de direitos em geral. Mas, a máquina do poder, de fato, continua nas mãos dos mesmos oligarcas, que nunca perderam, lançando mão do Estado, que tanto criticam, e espezinham quando suas aventuras especulativas/golpistas não dão os resultados esperados. E, com o avanço da crise geral do capitalismo, o desespero por novas apropriações sobre os povos, o nosso inclusive sendo preferencial pelo manancial de riquezas de toda ordem, então a guerra é de vida ou morte. Portanto, como decidiram no encontro do famigerado Instituto Millenium, que congrega toda aquela nefasta turma da mídia, Globo, Estadão, Dita-branda, Veja e assemelhados, TFP, CCC, Opus-dei, Ruralistas (que inclui até Aldo Rebelo do PCdoB, quem diria), Agronegocistas, latifundiários, grandes industriais, banqueiros e aliados, eles querem vencer A QUALQUER PREÇO, NÃO IMPORTAM OS MÉTODOS, IMPORTA O RESULTADO! E, se não der certo mesmo assim, têm planos B, C, D, etc. que inclui impeachment, golpe e, se necessário, até a guerra. Contam, para tanto, com o apoio e financiamento sem limites de seu tutor maior: o imperialismo ianque – EUA – especialista em todas essas coisas.
    Então, se não quisermos sofrer um profundo retrocesso nesse país, se não quisermos voltar aos moltes coloniais, iniciados por fhc&quadrilha, que não conseguiu terminar totalmente seu trabalho sujo de submissão aos interesses da potência dita única, não conseguindo levar seu antipatriotismo ao extremo, entregando até base militar aos seus amos (mas a Raython ianque ganhou a vigilância de “nossa Amazônia”), graças às reações de nossos patriotas e nacionalistas, seu afilhado político está destacado para continuar e, se possível, concluir de vez tamanho trabalho de lesa-pátria!
    Então, é obrigação de todos nós, que amamos este país e seu povo, lutar de todas as formas possíveis, mas honestas, bastando, para isso, lançar mão das verdades, da luta de ideias e em todos os campos, para evitar o grande prejuízo que se apresenta! DILMA PRESIDENTE, É NOSSA PRIORIDADE DE MOMENTO! Depois continuaremos a luta em busca de um país melhor, mais soberano com vistas ao protagonismo popular verdadeiro!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: